Typewriter (2019)

Essa série indiana, disponível na Netflix, agradará aos fãs de terror.

Com apenas cinco episódios, Typewriter tem cuidado com a apresentação imagética e narrativa da história. Uma fotografia bela e sombria, com a iluminação bastante marcada, atrai o olhar.

Diversos elementos parecem dar pistas de que trata-se de uma produção para público jovem, como a condução da narrativa pelo núcleo de crianças – que, inclusive, é liderado por uma intensa garota, entusiasmada e dedicada a caçar histórias reais de fantasmas. Os dois garotos que a acompanham apenas seguem o ritmo traçado por ela.

Com esse elenco infantil, que durante o início do enredo está contido em seu núcleo, separado do núcleo dos adultos, pode acontecer a comparação com Stranger Things, ainda mais porque foi lançada à época que essa estava no hype. Com sequências como a fuga da escola, que lembra os esquemas de Esqueceram de Mim, o espectador pode se desarmar e esperar o desenvolvimento relativamente tranquilo da série juvenil adequada para adultos. Se isso ocorrer, você tomará um susto – como aconteceu comigo – quando os núcleo infantil e adulto se unem e as crianças são expostas a acontecimentos terríveis e grotescos de uma obra abertamente de horror.

Existe uma razão, na verdade, para as crianças estarem em embate com os adultos – em geral, elas são as que fazem as perguntas mais diretas, e que aceitam o sobrenatural com mais facilidade, forçando os limites para expor o que está acontecendo na trama – a maldição, o fantasma, os mistérios.

As subtramas que exploram as jornadas dos diferentes personagens, aos poucos revelam as lendas e razões que direcionam a trama, mas também são responsáveis por revelar um constraste evidente entre o mundo masculino, de quem tem poder – seja na relação matrimonial, no governo, no mundo místico – e o mundo das mulheres e das crianças, que são afetadas pelas decisões de quem tem poder enquanto só buscam a verdade e são manipuladas para não encontrarem.

A lenda que dá origem à máquina de escrever (typewirter) amaldiçoada fala de um homem com uma quantidade de poder absurda, deixando claro que o subtexto da totalidade da obra quer assustar a nossa inocência, nesse jogo de colocar-nos na visão das crianças, não só com assassinatos e sangue, mas com o horror que é o poder de uma pessoa sobre a outra.

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