Witches in the Woods

Witches In The Woods (2019). Sinopse: Jill, caloura da universidade UMass, larga seus estudos por uma semana para participar de uma viagem com os amigos, para esquiar em um lugar remoto que não tem sinal de celular, nem internet, nem telefone… Disponível no PopCorn Time, sem legendas.

Eles nunca chegam em seu destino. Ao pegar um atalho, o carro fica atolado na neve. A partir daí, o desespero e a paranoia levam o grupo a se colocar em situações de risco e se voltarem um contra os outros.

A tensão do filme me capturou, apesar dos problemas que colocarei mais adiante. A protagonista, Jill, é interpretada uma atriz marcante, cativante. Sua melhor amiga Alisson, interpretada por Sasha Clements, também é ótima. Mas Hannah Kasulka, a protagonista, carrega o filme quase sozinha, dividindo a tela com personagens homens absolutamente nulos. Talvez a razão das atuações fracas tenha mais a ver com o desenvolvimento pobre desses personagens. A única personagem que tem um arco coerente e completo é a própria Jill.

Os atores tem de 25 anos pra mais de idade, e seus personagens estão na faculdade. Todos parecem quase velhos demais para os papéis. Corbin Bleu, em especial, com 30 anos de idade, e Craig Arnold, com 29, não me descem como universitários recém saídos da adolescência. Com esse casting, o filme poderia ter se desenvolvido quase da mesma maneira, vendendo a trama de um grupo de jovens adultos. Porém, a questão do âmbito universitário é absolutamente central no filme. É a motivação de todo o terror.

A premissa do terror é extremamente interessante para uma feminista ansiosa como eu. Alisson, que o filme deixa subentendido que foi estuprada e filmada pelo time de algum esporte da universidade, e teve essa filmagem vazada, aos poucos vai perdendo a sanidade, exibindo claros sintomas de uma crise de ansiedade, que é agravada pelas circunstancias. Ela é exposta ao frio quando tenta buscar ajuda para o grupo, o que prejudica muito sua saúde, ela convulsiona – tudo pode ser explicado pela situação que a personagem está enfrentando, mas o grupo, sugestionado por um panfleto que leram sobre a região, passa a acreditar que Alisson está possuída por uma bruxa, e se vingando dos garotos do time, que vão morrendo ao longo do filme.

O julgamento do grupo, chamando Alisson de bruxa, é certeiro. Uma mulher que fez sexo, que “se deixou” ser filmada, que não é pura na esfera pública. A mulher que é culpabilizada pelo que foi feito a ela, por garotos que “não podem ter suas carreiras destruídas só por isso”. Nada de novo, certo? Mas foi inovador no sentido de contar só o necessário para entendermos o que aconteceu. Não houve exposição evidente nos diálogos, apenas as palavras chave, e, por ser uma situação tão presente e um desenrolar tão clichê, facilmente se infere o que aconteceu.

Mas a intenção do filme é que o que está acontecendo seja ambíguo. Nós não vemos a Alisson matar de fato ninguém, inclusive vemos os colegas matarem uns aos outros ou se matarem sem querer.

O mistério, contudo, é construído de forma extremamente capenga. Usando do recurso de onisciência quando convém ao roteiro, e nos deixando no escuro quando não convém, o filme nos mostra só o que quer – deixando evidente a mão do diretor nessa escolha, o que imprime uma artificialidade difícil de ignorar.

Em alguns momentos o movimento de câmera é tão aleatório que fica difícil entender o que está acontecendo, e a quebra do eixo de 180º nos cortes confunde a espacialidade e irrita mais do que interessa.

Além disso, desde o início o filme deixa pistas de que algum animal grande circula por aquela região. Primeiro o caçador que encontra ursos que não hibernam, depois o cervo morto sem ter sido comido… e nada sai dessa promessa.

Enquanto o arco da Jill – que começa completamente devota à Alisson e se afasta aos poucos – nos entrega um clímax excelente, o arco de Alisson, que começou como uma personagem super interessante, acaba sendo confuso, dando a impressão de que o autor da obra simplesmente não decidiu se ela estava ou não possuída.

Jill, é revelado aos poucos no filme, está traindo o namorado com um dos garotos Philip, que também está na viagem. Esse triangulo funcionou muito bem para criar conflitos durante o filme, e nos revelar mais sobre o personagem do namorado; porém, nada dá a menor pista de que Jill e Philip estão apaixonados, se dão bem, querem estar juntos… Os atores não tem química nenhuma, mas, novamente, talvez por não ter nenhuma cena escrita para que isso pudesse aflorar.

Enfim, como a protagonista e a trama da sua melhor amiga ganham o interesse do espectador, é possível que o filme capture a atenção, consiga causar tensão, possa entreter.. mas o sentimento, quando acaba, é de ausências

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