Ready or Not

Ready or Not (2019) Sinopse: A noite de núpcias de uma noiva foge do esperado quando seus sogros e cunhados a convidam para jogar um jogo sinistro com eles. Disponível no PopCorn Time.

Eu acho que Ready or Not é o primeiro filme híbrido de terror/comédia para o qual eu daria uma nota de 100% de eficácia tanto no terror quanto na comédia. O cômico, nessa obra, não se constrõe somente a partir da brincadeira com elementos do terror, como também por meio de seus personagens bem desenvolvidos, múltiplos, engraçados nas suas obviedades e nas atitudes inesperadas.

O horror não se constrõe somente no gore e na tensão da protagonista que foge por sua vida, como também nas relações familiares e amorosas, que revelam estereótipos tristemente comuns, de patriarcado, vícios, falta de amor e cuidado.

Samara Weaving, mais uma vez, entrega uma atuação excelente num filme de terror/comédia (ver The Babysitter); dessa vez a atriz é a protagonista, e abraça essa função sem dificuldade.

A construção de cada personagem é extremamente cuidadosa. Desde o Pai estereótipo de patriarca, à esposa de um dos filhos que só casou pelo dinheiro da família; até todos os outros personagens inusitados, com suas próprias estranhezas e desequilíbrios. O elitismo da família, que trata os empregados como objetos descartáveis, e o mordomo que defende a família como se fosse sua, mesmo agindo como servo (“depois eu conserto o portão”), pareceu um filme brasileiro criticando a relação das empregadas domésticas – críticas fortes que eu ainda não tinha visto retratadas com essa sensibilidade nesse tipo de filme.

O personagem de Adam Brody (aka Seth de O.C.), também é genial pela tensão extra que trás para a subtrama do seu arco: torcemos para ele se revelar uma pessoa boa, e ele está o tempo todo em cima do muro, tendo atitudes ambíguas.

O outro clichê, o marido da protagonista que a gente começa simpatizando, e no final se revela um cara que simplesmente só queria mantê-la viva caso ela fosse ficar com ele depois – Quando ela dá o fora, ele a entrega à família para morrer. Um artifício genial para criar o afastamento do espectador, em relação a essa personagem, foi deixá-lo preso boa parte do 2o ato, só tentando se livrar das algemas e não fazendo nada de interessante. Ele vai perdendo o engajamento do espectador e assim é fácil acreditar na súbita mudança de caráter dele – nem tínhamos tantos elementos para julgá-lo de outra forma, mesmo. O roteiro é redondo, detalhista, certeiro. Não tenho o que reclamar desse filme.

E que final, hein?

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